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Tipos de Cirurgia Bariátrica

As operações para a cura da obesidade mórbida (cirurgia bariátrica) existem desde a década de 1950. Quando nos alimentamos, a comida cai inicialmente no estômago e em seguida passa por cerca de 5 metros de intestino delgado antes de atingir o intestino grosso. Logo no início do intestino delgado (no duodeno) o alimento se mistura com o suco pancreático e a digestão se processa permitindo que o alimento entre para o nosso corpo. O alimento é incorporado em nosso corpo durante a passagem pelo intestino delgado. As primeiras operações faziam uma ligação do início do intestino delgado com a porção final do mesmo, impedindo que o alimento ingerido passasse e fosse absorvido pelos 5 metros de intestino delgado. Estas cirurgias, apesar de proporcionarem grande emagrecimento, levavam à desnutrição grave e, por isto, foram abandonadas até que as pesquisas mostrassem um caminho mais seguro para estes pacientes. Hoje, a cirurgia para cura da obesidade mórbida é apresentada na imprensa e discutida entre os médicos em congressos porque nos últimos anos, cirurgias eficazes surgiram, propiciando um emagrecimento com saúde.

Hoje são reconhecidos 3 tipos de operações:

  1. Cirurgias desabsortivas

Cirurgias bariátricas que fundamentalmente provocam o emagrecimento impedindo que os alimentos passem por todo o intestino delgado (local em que os alimentos são absorvidos, penetrando em nosso corpo). São o resultado da evolução daquelas primeiras cirurgias já descritas e são chamadas de desabsortivas. A mais conhecida é a operação de Scopinaro (médico italiano que idealizou e propaga esta operação). Uma parte do estômago também é retirada, no entanto, não há grande diminuição da ingestão de alimentos.

Outra operação também desabsortiva é o resultado de uma mudança na operação de Scopinaro com uma retirada do estômago de forma diferente e é conhecida como Duodenal Switch.

 

http://cirurgiadeobesidade.med.br/wp-content/uploads/2016/06/cirurgia_de_Scopinaro.jpg

2. Cirurgias gastrorestritivas

Cirurgias bariátricas que provocam o emagrecimento por diminuir o tamanho do estômago. São por isso chamadas de gastrorestritivas. Uma delas é a Banda Gástrica Ajustável. Esta operação consiste em se colocar uma banda envolvendo o estômago e fazendo com que o alimento ingerido fique inicialmente parado em uma pequena parte do estômago propiciando a sensação de saciedade, o que faz a pessoa sentir-se satisfeita e sem fome após ter comido bem pouco. A banda é chamada de ajustável porque através de um dispositivo, fixado acima da musculatura da barriga e embaixo da gordura, podemos apertar ou alargar esta banda conforme a necessidade. Para isso injetamos um líquido através deste dispositivo. Por seus resultados não muito bons e por suas complicações com o passar do tempo hoje tem sido bem menos usada.

Muito usada nos últimos anos, um novo tipo de cirurgia que transforma o estômago em um tubo é conhecida como Sleeve, ou Gastroplastia Vertical Tubular. Na verdade foi idealizada observando a parte referente ao estômago da cirurgia de Duodenal Switch. Ao retirar grande  parte do estômago, também retira o fundo gástrico, onde é produzido um hormônio chamado Grelina. A ausência deste hormônio diminui a fome e pode ter alguma ação sobre a diabetes . Em termos de emagrecimento tem proporcionado resultados semelhantes ao By- pass (cirurgia de Capella-Fobi).

 

http://cirurgiadeobesidade.med.br/wp-content/uploads/2016/06/banda_gastrica_ajustavel.jpg

3. Cirurgias mistas

Cirurgias bariátricas que provocam o emagrecimento diminuindo o estômago e também impedindo que haja absorção por pequena parte do intestino delgado. São por isso chamadas de mistas. A mais conhecida é a operação de By-pass ou Capella-Fobi (uma homenagem aos dois cirurgiões que a idealizaram). Esta tem sido uma operação muito usada no Brasil porque apresenta, em geral, um emagrecimento mais efetivo que a Banda Gástrica Ajustável e uma desnutrição menor que a operação de Scopinaro.

Apresenta também grande efeito benéfico em pacientes diabéticos, normalizando a taxa de glicose no sangue antes mesmo que o paciente emagreça. Com esta cirurgia, o alimento passa pelo pequeno estômago novo onde fica retido por um tempo, uma vez que uma passagem bem estreita é confeccionada quando da realização da junção entre o novo estômago e o intestino delgado (alguns ainda colocam um anel no estômago). Na maioria das vezes este estreitamento é realizado no momento da costura entre o novo estômago pequeno e o intestino (cirurgia de Higa).

Isto impede que o alimento passe com facilidade, provocando sensação de saciedade, o que faz a pessoa sentir-se satisfeita e sem fome após ter comido bem pouco. Em seguida a comida passa para o intestino delgado, mas por 1,20m não consegue entrar no corpo porque ainda não sofreu a ação do suco pancreático (digestão). Após 1,20m o alimento vai entrar em contato com o suco pancreático e a partir daí vai ser normalmente absorvida pelo organismo.

 

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As cirurgias de By-Pass (Capella-Fobi) e de Sleeve (gastrectomia vertical tubular) são as mais usadas atualmente.

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